terça-feira, 1 de março de 2016

O som do vazio

Sem querer fazer estardalhaço, o momento não tá para otimismo. Embora ainda não tenham sido divulgados os dados que medem o PIB de 2015, sabe-se que este foi um ano péssimo para a economia brasileira. Os mais otimistas dizem que 2016 não ficará muito atrás. Na melhor das hipóteses, o atual ano será ruim. E essa recessão tem números: retração de 3,5% a 4%. Como dormir com um barulho desses?

Entre uma dificuldade no Congresso aqui e um pacote de medidas acolá, o governo tenta acelerar a economia, sabendo que precisa pisar no freio do gasto público. A gastança desenfreada encontrou seu limite.


Desgovernado, o país patina na pista do mundo civilizado. Este ano, nosso crescimento, projetado pelo FMI, deve ficar abaixo dos emergentes (4,3% para eles e -3,5% para nós).


A casa da mãe Joana está mais bagunçada até mesmo que seu quintal. A retração econômica da América Latina como um todo deve girar em torno de 0,3%.


Para a governanta, é apenas um acidente de percurso, um ponto fora da curva. Para os brasileiros, com seus salários amassados pela inflação alta, ou simplesmente sem emprego algum, é uma tragédia total. A desordem parece não ter fim.


Olhando para o seleto grupo dos BRICS, o qual o país ainda pertence, a mediocridade ressurge ainda mais esplendorosa. Espera-se um desempenho pior que o da Rússia, a letra "R" do clubinho – com sua economia em frangalhos, em virtude da queda do preço do petróleo e pelos embargos sofridos recentemente em razão das temerárias atitudes geopolíticas do Sr. Putin –, deve retrair próximo de 1%, este ano. A presidente, por sua vez, esquece de olhar para o próprio umbigo e volta seus olhos para fora. Segundo ela, a culpa é da crise internacional. Com efeito, não é possível ser uma ilha de prosperidade cercada por um mar de miséria, acontece que mais parecemos uma fortaleza imersa na escuridão da falta de idéias.


Atualmente, o governo tem apelado, suplicado e até mesmo implorado para que os brasileiros contribuam para o país sair o mais rápido possível da recessão. Em horário nobre, os petistas pedem aos compatriotas a difícil tarefa de trabalhar mais e reclamar menos. Os brasileiros até podem atender a tal demanda, desde que, por um lado, os escândalos de corrupção cessem e os culpados sejam devidamente punidos; por outro, os 9 milhões de desempregados – até o momento – consigam algum emprego, produto raro ultimamente no mercado. Não podemos nos calar diante dos fatos.


Enquanto a luz dessa situação ideal não se firma, batucamos em panelas tão vazias quanto nosso saco de paciência. Debruçados nas janelas dos quartos, apagando e ascendendo as luzes, a classe média (ou simplesmente “coxinhas”, para alguns), se recusa a ouvir os impropérios proferidos pela presidente e seu bando. Fica o som do panelaço no lugar do vazio deixado pela falta de governabilidade.



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O marqueteiro

O homem responsável pelo marketing de "desconstrução dos candidatos", adversários da petista à Presidência da República, está atrás das grades. Tido como mago do marketing político, levou vários candidatos a vencer eleições de seus respectivos países. Agora, tentando promover sua honestidade, o acusado de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e contas secretas em paraísos fiscais, nega a responsabilidade de tais fatos (os obscuros, óbvio). Para ele, tudo não passa de propaganda enganosa.

Segundo o marqueteiro, suas milionárias contas bancárias, no Brasil e no exterior, foram abastecidas legalmente como fruto de seu honesto trabalho. Ele quis deixar bem claro que o mesmo trabalho que serve para desconstruir os adversários de seus clientes, serviu para construir seu suspeito patrimônio. Tudo pago pela mão esquerda do candidato, ou candidata, devidamente ascendido ao poder.

Agora, vendo o sol curitibano nascer quadrado, assim como sua fiel parceira, afirmou não ter nada a omitir, porquanto todos os recursos recebidos constam em extratos bancários e foram devidamente declarados. Segundo a Receita Federal, há valores, entre os anos de 2004 e 2014, não declarados no IR do publicitário. João Santana discorda da imagem vendida pela PF. Os argumentos do marqueteiro, no entanto, são tão nítidos quanto o sol em um dia de céu nublado. De claro mesmo só há o fato de que alguém está, visivelmente, sonegando alguma verdade.